terça-feira, 3 de maio de 2011

Salva-se quem puder, o SBT, tornou-se subversivo!


Seria mais uma novelinha água com açúcar do "insuperável" Silvio Santos. Porém, a proposta do autor da dramaturgia, Tiago Santiago (ex Globo, ex Record), vai muito além de meros casais que passam a história inteira tentando se amar...

Tudo começou pelo tema escolhido, a ditadura. Um período da nossa história pouco explorado pela tv no Brasil (ignorado principalmente pela Rede Globo), um assunto de extrema importância e relevância para o caráter e personalidade de qualquer brasileiro.

Pela chamada da novela, já dava para saber que viria coisa "boa", ou no mínimo "interessante". Pois é, Amor e Revolução veio com uma propaganda extremamente carregada de mensagens subliminares (a concorrente teve que engolir mais esta). E eu fiquei espantado com a metralhadora de Santiago e cia, depois de anunciar a novela, através de um teaser, vinha a seguinte mensagem: "Só o SBT tem a coragem de passar a limpo a história recente do nosso país". Precisava mais de que?

A produção em si, não é nada glamurosa, e como é ambientada na década de 60, se torna ainda mais difícil sua produção. Tratando-se do SBT, não se pode esperar uma produção com a qualidade de uma Globo da vida!!! Mas, é aí que a gente começa a notar o grande recado que permeia o enredo da novela! O SBT não tem o rabo preso com ninguém, sendo assim, eles vão fundo em cenas inacreditáveis.


O espinho na carne.


O elenco recheado de ex-globais, até favorece de certa forma. Os casais protagonistas existem, rola muito beijo, amasso e etc. Só que também rola, tortura... Às vezes em forma explícita, a realidade nua e crua da coisa. Se por um lado, o SBT peca pelo baixo orçamento e investimento, ele ganha na veracidade dos fatos. É um encontro real com o que nossos pais, tios e parentes mais velhos, vivenciaram nesta época. A todo instante, há um embate entre militares e "subversivos". A UNE aparece também como cenário, assim como uma redação de um jornal (o que era comum, jornais censurados e até mesmo fechados), passeatas e manifestações também aparecem com certa frequência (não é difícil ver a juventude da época tomando cacetada da policia) e o famoso DOPS (que tanto intimidou e amedontrou ilustres resistentes) tem um papel de destaque, onde alguns personagens revivem o grande drama do que aconteceu aqui neste país.

A trilha fica por conta de quem entende do assunto, Chico Buarque é um dos que integram uma tropa de elite de compositores de primeira linha. Àqueles, que não desistiram de seus ideais e escreveram contra à ditadura e a censura, imposta pelo governo do golpe militar. Com certeza, os nossos estimados ex-presidentes generais, devem ter se remexido em seus túmulos.

O esforço em dar ênfase à trama se completa em cada final de capítulo. É aí que o bicho pega (literalmente), com depoimentos desconcertantes, a novela convida quem realmente experimentou a ditadura no Brasil. Vai desde idealistas de uma recém esquerda criada (para a época), à comunistas, pasmém, até militares dão suas versões aos fatos! Extremamente democrático e emblemático. 


Reação Militar.


A repercussão não foi de grande alarde, os indíces de audiência também não são exuberantes (embora não decepcionem e coloquem o canal em 3º lugar no horário). Embora, de forma tímida e sem força, houve quem não gostou nem um pouco e se sentiu incomodado com o "delicado" tema. José Luiz Dalla Vecchia, membro da diretoria da ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DOS MILITARES INATIVOS DA AERONÁUTICA, pediu o fim da exibição da novela, através de um abaixo assinado entregue ao Ministério Público Federal. O que foi prontamente arquivado.

Amor e Revolução é um convite ao sentimento de reflexão e aprendizado com as lembranças nada saudosas!

2 comentários:

Dans mon île... ઇ‍ઉ disse...

nao sou fa de novela,exceto as bem dramaticas...vc me recomendou aquele dia e a passei assistir sempre que possivel ...estou pensando em fazer o tcc 1 sobre a subjetividade no contexto da ditadura atraves das musicas

Dans mon île... ઇ‍ઉ disse...

espero que de alguma forma tudo isso formente novamente as discussoes sobre a pndh3 no que diz respeito a comissao de memoria e verdade